Dores de plástico
Durante os kilometros da corrida de hoje a melodia do refrão da música Flores, dos Titãs, ficou martelando em minha cabeça. Entretanto, no meu caso, a letra foi alterada.
Dores, dores
As dores na perna não param
Faz tempo que não sento aqui para escrever. A vida anda bastante corrida com novos e difíceis desafios.
A carga de estudos, que nos últimos anos sempre foi alta, agora foi elevada a enésima potência. O mestrado exige um nível intenso de dedicação.
Em paralelo, mantenho meus atendimentos clínicos e os casos parecem mais complexos a cada dia. O que requer de mim, além de ampliação do conhecimento aprofundado, a manutenção da serenidade e do equilíbrio emocional.
Se isso não bastasse, os treinos para a maratona aumentam em volume e intensidade a cada semana. Minha capacidade cardiovascular tem respondido de forma exemplar e os indicadores mostram que, nesse quesito, estou em curva ascendente. Também fiz ganho de massa muscular e perdi gordura.
Estou mais forte e mais leve.
Logo após escrever a frase acima parei por alguns instantes para refletir. É que tenho me questionado muito, sobre muitas coisas. Sobre minha real capacidade de lidar positivamente com todas as variáveis que habitam meus dias atuais.
Em muitos momentos tenho me visto sem forças e pesado. Nessas horas bate até o embrulho no estômago que eu costumava sentir na minha adolescência.
Mas o fato é que cresci e inegavelmente estou mais forte e mais leve. Sinto isso, meu corpo diz isso e as pessoas ao meu redor concordam. Não fosse assim, como costumava acontecer em tempos remotos, eu já teria sucumbido à agressividade que era meu principal mecanismo de defesa.
Eu sei que parece confuso, mas minha cabeça funciona assim em muitos momentos. Um vai e vem sem fim, tentam me tirar do equilíbrio que venho conquistando com o passar dos anos.
Às vezes dói e hoje, como na música dos Titãs:
“Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho.”
Tenho lidado com dores musculares persistentes, mas mantendo-me firme nos treinos. Tem sido um interessante exercício de resistência física e mental.
Se e quando atingirei meus objetivos, o tempo dirá.
Sigo firme sem consumir álcool. Lá se vão sessenta dias e “só por hoje” será mais um.
Meu projeto de pesquisa cujo tema é a “Correlação entre microbiota intestinal e a epilepsia fármaco-resistente”, está ganhando corpo e consegui apoio de um time de doutores do mais alto nível para me orientar. Noutro dia conto mais sobre isso.
No final de maio farei uma prova teste: 21 km no Capixaba de Ferro. E no dia 22 de junho será a prova de fogo! A Maratona do Rio.
Estou empenhado em fazer a minha parte, vivenciando as dores e as delícias de ser quem eu sou.
Até lá e para sempre quero vivenciar as flores de verdade. Aquelas que morrem, mas enquanto vivem o fazem para nos encantar os olhos e a alma.
Até breve



Acompanhando sempre você, vejo que é possível. Vai vizinho, acelera vizinho.